Produção gesseira aumenta gradativamente

Quem chega à árida região do Araripe, em pleno sertão pernambucano, principalmente nos tempos de estiagem e observa a paisagem das caatingas, pode imaginar estar numa região estritamente pobre e sem perspectivas. Mas, ao observar o ambiente com atenção irá compreender que é das entranhas do chão que brota a principal riqueza regional. A gipsita ou pedra de gesso está presente em cinco municípios: Araripina, Trindade, Ouricuri, Ipubi e Bodocó.


O polo gesseiro de Pernambuco possui uma reserva estimada em 1,22 bilhões de toneladas, representando 40% das jazidas mundiais, sendo responsável por 95% da produção brasileira.


Dados do Sindicato da Indústria do Gesso (Sindusgesso) informam que do gesso produzido, 61 % é usado na fabricação de blocos e placas, 35% em revestimento e o restante em outros usos. Entre essas utilidades, 800 mil toneladas de gipsita são consumidas pela indústria de cimento e mais de 200 mil toneladas são vendidas como gesso agrícola, cada vez mais usado na agricultura em escalas industriais.


APL - O Sertão do Araripe produz 3,5 milhões de toneladas de gesso por ano. Suas características econômicas e geográficas o classificam como um Arranjo Produtivo Local (APL), para onde estão sendo elaborados projetos institucionais de desenvolvimento, em esforços conjuntos dos governos federal e estadual e dos municípios da região, num trabalho que envolve empresas, organizações não-governamentais e demais segmentos da sociedade.


Na construção civil, o gesso tem substituído sem quaisquer problemas, argamassa e tijolos. Paredes, divisórias, forros, rebaixamentos, revestimento decorativo e até móveis podem ser construídos utilizando apenas produtos de gesso.


Todas essas vantagens aliadas e fatores econômicos e sociais têm aumentado gradativamente o uso do gesso, num ritmo de crescimento que contribuirá diretamente para a transformação do polo gesseiro do Araripe num dos mais importantes celeiros de produção de riquezas do Brasil.


O que é o gessoConhecido há milênios, o gesso é uma substância normalmente vendida na forma de um pó branco, produzida a partir do mineral gipsita, composto basicamente de sulfato de cálcio hidratado.


Quando a gipsita é esmagada e calcinada, perde água, formando o gesso. Após a extração, a pedra de gesso (gipsita) é britada, formando pequenos pedaços de pedra.


Este material é levado a fornos rotativos a cerca de 160º C, num processo conhecido por calcinação, em que parte da água é extraída.


Em seguida, o gesso é moído, formando o pó branco pronto para o consumo. Em contato com a água, o produto reage e em pouco tempo toma forma, voltando ao estado sólido, com que é comercializado, geralmente no formato de blocos e placas de pré-moldados.


Características
- reserva estimada em 1,22 bilhões de toneladas
- 40% das reservas mundiais
- 95% produção brasileira de gesso
- teor variável entre 88% e 98% de pureza do gesso
- de cada 100 minas no Brasil, 80 estão na região
- cerca de 150 indústrias de gesso e mais de 400 fábricas de pré-moldados instaladas na região
- 13 mil empregos diretos e mais de 64 mil indiretos
- produção da região é de 3,5 milhões de toneladas/ano
Vantagens
- baixo custo na construção
- facilidade de montagem
- isolamento térmico
- resistência adequada à construção civil
- isolamento acústico
- alta flexibilidade para atender às necessidades de tamanho
- característica incombustível - o gesso não pega fogo

Da redação - Diario de Pernambuco