Pernambuco competitivo

Pernambuco competitivo - saber olhar para saber fazer: é mais que oportuno o tema da décima edição da Pesquisa Empresas & Empresários, iniciativa da TGI Consultoria em Gestão, em parceria com o Instituto de Tecnologia em Gestão.


Deve-se a Paul M. Romer e a Robert E. Lucas Jr. a inclusão, ao lado do capital e do trabalho, do conhecimento como fator de produção: representado pelo progresso técnico, gerador de inovações, endógeno ao processo econômico. O Banco Mundial, no Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 1998-9 intitulado Conhecimento para o desenvolvimento, afirma: "Os países pobres diferem dos ricos não apenas por que têm menos capital, mas porque têm menos conhecimento". Lançava-se um novo olhar sobre os problemas do desenvolvimento. Olhar que deu origem à chamada "economia criativa", baseada no conhecimento. Que postula empresas, entidades sociais, governos inovadores.


Uma economia criativa - dinâmica, competitiva - é o que, em síntese, esta Pesquisa E&E propõe para o Estado pela voz de empresários e especialistas. Criativa porque, valorizando o passado como legado e inspiração, vê o futuro desenhando-se pela revolução do conhecimento. Porque considera que o século 21 será coetâneo a grandes avanços da eletrônica, alavancados por progressos nas ciências da informação e comunicação impactando toda a economia. O século da inovação como estratégia das empresas que pretendam ganhar ou manter competitividade. De altas tecnologias, aplicadas inclusive na agropecuária e atividades produtivas mais intensivas em recursos naturais. E de indústrias criativas por excelência como as da cultura e lazer, ou as atividades de geração e aplicação do conhecimento, como P&D e serviços modernos.


Dez setores foram selecionados por sua relevância para a economia local. Cada um deles teve o passado e o presente esmiuçados para que visão mais arguta pudesse desvendar-lhe o futuro. À guisa de síntese, formularam-se diretrizes estratégicas.


Títulos inspirados encabeçam cada um dos capítulos setoriais, entre eles: A cana em Pernambuco: de volta para o futuro,Tradição de última geração: conhecimento aplicado, Destino Pernambuco: o roteiro da identidade, Uma indústria estratégica: do fio ao navio, Pernambuco dos mascates, A renovação dita a moda, A economia se move, Atenção: estamos em obras.


Uma aura de confiança desprende-se tanto das observações dos empresários quanto das análises dos especialistas. Pernambuco vive um novo momento de sua trajetória recente de desenvolvimento. Claro ponto de inflexão, plantado na década atual, vai separar duas fases distintas.


Na primeira, de 50 anos (1950-2000), o Estado teve crescimento do PIB de 4% ao ano, razoável pelos padrões internacionais, mas inferior ao brasileiro e nordestino. A nova fase, que vem ganhando impulso neste começo de século, anuncia desempenho econômico mais dinâmico, além de estruturalmente transformador. E um brilhante destino para o Estado e seu desenvolvimento.


A maioria dos pernambucanos compartilha esse otimismo. A E&E 2009 o fundamenta, projetando caminhos que o favorecem e justificam. Há grandes investimentos em infraestrutura sendo realizados no Estado, entre eles o Projeto São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. E todo o maturar do Complexo Industrial e Portuário de Suape, com grandes projetos em execução.


Mesmo diante de horizonte ainda turvado pela recessão mundial de 2008-9, cabe manter a fé. Pois tudo indica que os investimentos em curso no Estado vão ser mantidos, embora seus cronogramas possam estar sendo estendidos.


» Roberto Cavalcanti de Albuquerque é ensaísta e diretor do Fórum Nacional (Rio de Janeiro), mantido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae)