Indústria está mais otimista

O Índice de Confiança da Indústria de Transformação (ICI) de agosto apresentou uma elevação de 2,7% em relação a julho, passando de 99,3 para 102,0 pontos, o maior nível desde setembro de 2008, quando o ICI ficou em 105,2 pontos. Os 100 pontos marcam a linha divisória entre insatisfação/satisfação e pessimismo/otimismo.

 

O ICI-PE é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), em parceria com a Agência Condepe/Fidem. Antes trimestral, agora passa a ser divulgado mensalmente. O aumento da confiança em agosto foi o quinto consecutivo, estando acima do índice nacional (100,0 pontos). "São números bem promissores, que confirmam a recuperação industrial no estado", diz o especialista em análises econômicas do Ibre, Jorge Braga.

 

Ele observa que a confiança da indústria pernambucana foi menos abalada pela crise quea brasileira e também demorou mais a se recuperar. Enquanto a indústria nacional mostrou-se mais afetada já em dezembro de 2008, sobretudo em função do crédito e das exportações, a pernambucana só apresentou níveis mínimos em março deste ano. Estimulado pelas medidas de desoneração tributária, direcionadas à produção de bens duráveis, o ICI-Brasil começou a reagir em janeiro.

 

No estado, a reação ocorreu em abril e foi suficiente para segurar o índice acima do patamar nacional. "Podemos dizer que a indústria pernambucana foi afetada pela crise, mas em nível menor do que a indústria nacional. Contribuiu para isso o fato de que quase um terço da indústria no estado fabrica alimentos", comenta Braga.

 

Em relação ao momento atual, o otimismo da indústria pernambucana justifica-se por um aumento na demanda global nos segmentos de material elétrico, produtos alimentares e químicos. Para os próximos três meses, os empresários esperam aumento na produção e no emprego. Porém, o otimismo do empresário torna-se maior quando o horizonte é ampliado para seis meses. Nesse caso, eles esperam aumento na demanda por minerais não metálicos, metalurgia e material elétrico, que podem ser associados a investimentos na área de infraestrutura.

 

Outro dado interessante diz respeito aos estoques. "Na crise, as empresas pararam de produzir e os estoques ficaram acima do desejável. Com a recuperação, os estoques estão se normalizando e tudo indica que as empresas já começam a produzir", acrescenta Jorge Braga. O nível médio de utilização da capacidade instalada no estado está em 75,3%, com destaque para material de construção (82,3%). Em relação ao crédito, a parcela de empresas que consideram elevado o grau de exigência foi de 24%, a menor desde outubro de 2007, sinalizando que o ambiente financeiro já teria se normalizado para as indústrias pernambucanas após o período mais agudo da crise.