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Suape pode desengavetar projeto

Complexo quer se adequar à realidade mais enxuta da movimentação de cargas prevista no novo projeto da Ferrovia Transnordestina

ANDRÉ CLEMENTE
andre.clemente@diariodepernambuco.com.br

A administração do Complexo Industrial Portuário de Suape pode tirar da gaveta um estudo de viabilidade antigo para a construção do terminal de cargas de minério de ferro na Ilha de Cocaia. A possibilidade surge para se adequar à realidade mais enxuta da movimentação de cargas prevista pela Ferrovia Transnordestina e evitar o desperdício de manter o planejamento inicial, superdimensionado. O estado solicitou à Transnordestina Logística S.A. (TLSA), empresa responsável pela obra, informações exatas para evitar equívocos no planejamento por parte do porto. O pleito objetiva saber quando exatamente a obra vai chegar a Suape e qual o volume de cargas a ser movimentado para que a infraestrutura construída no complexo “combine” com a demanda.

Na projeção inicial, a Ferrovia Transnordestina levaria 17 milhões de toneladas de minério de ferro a Suape por ano. A TLSA já informou em audiências públicas, inclusive com a presenta de representantes do governo do estado, que esse volume deve cair para 10 milhões/ano, o que deixa superdimensionada a estrutura de Suape na integração à plataforma logística de cargas. O vice-presidente de Suape, Marcelo Bruto, explicou que a falta de clareza nos dados do projeto tem atrapalhado.

“A gente tem um processo de elaboração de estratégias que dependem de dados precisos da situação do porto e de previsibilidade. Sem a informação de quanto será movimentado em cargas, a decisão de construir a infraestrutura fica comprometida. Além disso, quando a gente vai atrair investimentos e diz que a nossa estrutura tem previsão de movimentar 17 milhões de toneladas de minério de ferro pelo trilhos da Transnordestina, é muito mais expressivo que anunciar o volume de 10 milhões de toneladas na hora de vender o nosso produto”, explica, citando que a TLSA já foi procurada para esclarecer as informações.

Ainda segundo Bruto, a decisão de resgatar um estudo que considera uma movimentação mais enxuta para se adequar à nova realidade da ferrovia não limita qualquer possibilidade de atender a possível aumento de demanda futuro. “O estudo de viabilidade antigo, ainda do governo federal, considera a Ilha de Cocaia o local para a construção de um terminal para 12 milhões de toneladas, mas que pode crescer e se adequar a qualquer aumento posterior. O que não pode é a gente se preparar para 17 milhões de toneladas e só chegar pouco mais da metade disso. Seria desperdício”, acrescentou.

A previsão, portanto, é de que a Transnordestina movimente, além dos 10 milhões de toneladas de minério de ferro, cerca de 3,4 milhões de toneladas em grãos, 1,8 milhão de toneladas de combustíveis e 7,9 milhões de toneladas em outras cargas por ano.  Acumulando uma série de problemas financeiros e operacionais, a ferrovia completou dez anos em construção e só atingiu a marca de 52% de conclusão. A última novidade foi a formação de uma comissão interministerial para achar a “solução” para a obra. O prazo para se achar uma solução acaba em 3 de junho, mas pode ser prorrogado para 3 de agosto. A obra tem orçamento atual previsto em R$ 11,2 bilhões.

Fonte: Diario de Pernambuco  (Editoria Economia)

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